Bárbara Pergunta: João Doria

Perfil

João Agripino da Costa Doria Junior é paulistano (torcedor do Santos), empresário, jornalista, publicitário, escritor e governador de São Paulo pelo PSDB. É filho do publicitário e ex-deputado federal João Doria Neto e da empresária Maria Sylvia Vieira de Moraes Dias Doria. Ainda bem jovem, João Doria viu o golpe militar de 1964, e seu pai perder os direitos políticos por conta do Ato Institucional (AI5) e se exilar na França. Com a mãe e irmãos vivenciou dificuldades financeiras. Estudava a noite em uma escola pública e trabalhava durante o dia. É casado desde 1987 com a artista plástica, Bia Doria. O casal tem três filhos: João Doria Neto, Carolina Doria e Felipe Doria.


Aos 63 anos, Doria participa pela primeira vez das prévias do PSDB para a Presidência da República. Novato como político, com apenas cinco anos de atuação, porém, ele possui uma carreira bem solidificada. Ingressou na vida pública como secretário de Turismo de São Paulo e presidente da Paulistur (1983-86) no governo Mário Covas. Foi presidente da Embratur (1986-88) durante o governo Sarney. Trinta anos se passaram até ele se tornar prefeito da maior cidade da América Latina, eleito em primeiro turno com 53% da intenção de voto – foi um momento histórico para a política paulista. Dois anos depois, ele venceu com folga, no segundo turno, a eleição para Governo de São Paulo. Foto: Luís Blanco / Equipe JD

João Doria é uma personalidade bem conhecida e respeitada no país e no exterior. Ele foi apresentador do programa de TV, ‘O Aprendiz Universitário’. Também é conhecido por organizar importantes eventos nacional e internacional. Em 2012 foi eleito como uma das cem personalidades mais influentes do país pela revista Istoé. Em 2014, Doria foi eleito um dos cem líderes de melhor reputação, de acordo com pesquisa publicada pela revista Exame. Por conta de seu cargo de governador, ele se licenciou do Grupo Doria de Comunicação e Marketing.

Doria promove um governo liberal que privilegia o privado e aberto para novos investimentos. Realizou reformas Fiscal, Administrativa e Previdenciária que possibilitaram um caixa em torno de 50 bilhões de reais para os cofres públicos. Sua forma de gerir o estado de São Paulo arrebata apoiadores fieis e opositores raivosos.


Bárbara Pergunta

Contexto para a primeira pergunta:

O Sars-CoV-2, o novo coronavírus, foi identificado na China em dezembro de 2019. A disseminação global obrigou a OMS decretar, no dia 12 de março de 2020, que o mundo vivia uma pandemia. No mesmo mês, o presidente da República, Jair Bolsonaro, tratou a questão do coronavírus com desdém. No mês de agosto, a pandemia enlutava o Brasil, e o governo de São Paulo, por meio do Instituto Butantan, e a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech firmavam acordo para produção e testes em humanos de uma vacina – a Coronavac. No Domingo, 17 de janeiro de 2021, o país já somava mais de 200 mil mortes e a Anvisa aprovou a coronavac e, logo em seguida o Brasil testemunhou o “Dia D” da vacinação em São Paulo. Excluindo os voluntários dos testes, até então ninguém tinha se vacinado no Brasil.

Bárbara Fontes: Diante da cronologia acima é inegável a participação ativa e decisiva do senhor. Foi o governador que mais enfrentou os ataques de Bolsonaro – que se manifestava contra vacinas durante o auge da pandemia, principalmente contra a Coronavac. As últimas pesquisas sobre eleições presidenciais, publicadas entre agosto e setembro, aponta Lula vencendo todos os adversários no primeiro e segundo turnos. A pesquisa também mostra ampla rejeição ao nome João Doria para presidente da República. Como o senhor enxerga e compreende tudo isso? O povo brasileiro é ingrato? Ou essas pesquisas podem ter sido realizadas em nichos específicos que favorecem Lula? Ou o povo está cansado do PSDB e desconta no senhor?

João Doria: O povo brasileiro tem sabedoria. Eu respeito não só a opinião popular como a Pesquisa, porém, as pesquisas representam o momento atual e não o momento futuro. Portanto eu respeito a opinião das pessoas que participaram da pesquisa e o seu resultado. Mas quero lembrar que eu disputei duas campanhas eleitorais, uma em 2016, e outra em 2018, onde na primeira campanha eu tinha 1% das intenções de voto a oito meses do pleito eleitoral para a prefeitura de São Paulo, e venci a eleição com 53% dos votos válidos. Uma vitória no primeiro turno pela primeira vez na história política de São Paulo em 28 anos. Depois em 2018, onde eu iniciei na primeira pesquisa em terceiro colocado e terminei como vitorioso e governador eleito pelo estado de São Paulo. Portanto respeito a população, respeito a evolução da pesquisa e estamos há 13 meses do pleito para a Presidência da República, em 2022. Até lá muitos movimentos serão feitos e mudanças também serão consideráveis nas intenções de voto dos eleitores.     


B.F: Caso seja escolhido como presidenciável, como o senhor se prepara para dialogar nas regiões onde Jair Bolsonaro foi eleito com folga? Mato Grosso, terra do agronegócio, é um exemplo disso. O setor do agro foi decisivo nas manifestações pró-presidente, realizadas no dia 7 de setembro.

J.D.: Com humildade para ouvir e capacidade para agir. O agro em São Paulo também é muito importante. Vinte e dois por cento da economia de São Paulo é composta pelo Agronegócio. Embora seja um estado industrializado, a participação do agro é expressiva. A nossa relação com o Agronegócio é respeitosa, é integrada, é estimulada por financiamento, por pesquisa, ciência e tecnologia; e facilitações que fizemos, principalmente, em investimentos em logística nas estradas vicinais, nas rodovias paulistas e no acesso ao Porto de Santos. Outro fator que também influiu positivamente nas relações com o agro em São Paulo foi a integração com o Meio Ambiente. O agro não agride o meio ambiente e o meio ambiente não agride o agro. Fizemos o ‘AgroLegal’, e de forma positiva e integrada o agro continua a produzir e a expandir-se sem agredir o meio ambiente. E o meio ambiente compreende a importância econômica e a obediência aos protocolos ambientais. Caminhamos juntos com o mesmo objetivo que é desenvolvimento econômico, aumento das exportações, geração de emprego, prosperidade e renda.


B.F.: Em Mato Grosso, o Comércio é ‘força motriz’ da economia. Os dias que antecedem ao ‘Dia dos Namorados’ aquecem o setor em todo Estado. A data romântica foi criada por seu pai, uma das maiores referências na Publicidade e Propaganda do país. Qual é o maior legado que seu pai deixou para o senhor?

J.D.: Honestidade, moralidade e o respeito pela verdade. E também a criatividade. Meu pai era um jornalista e publicitário. Ele introduziu no Brasil, o Dia dos Namorados, o Dia das Mães e fez campanhas publicitárias memoráveis. Ele era um Redator de mão cheia e um estudioso muito aplicado em tudo que fazia e bastante determinado. Essas são algumas das características que ele deixou como legado aos seus filhos. Eu tenho muito orgulho disso.


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